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Flexão nominal Lições de gramática

música, musicista

Três diferentes leitores comparecem com a mesma dúvida: a mulher que faz música é uma música? A que nasce na Indonésia é uma indonésia?

a) Caro Professor Moreno, minha dúvida é a seguinte: posso chamar uma médica especializada em clínica geral de “clínica geral fulana de tal”? Qual é a maneira certa? Obrigado.   [Sergio Luiz] 

b) Professor, posso dizer uma senhora é uma grande música? Note que me refiro a sua profissão. Grato.   [Francisco Galvão]

c) Prezado doutor: moro no Japão há muitos anos e casei com uma mulher nascida na Indonésia. Se a minha esposa é nascida na Indonésia, a sua nacionalidade é indonésia ou indonesiana? Não acho tão estranho chamar um homem de indonésio, mas sinto um certo incômodo em chamar minha mulher de indonésia, por coincidir com o nome do país. Por outro lado, tenho a sensação de que o termo indonesiano é incorreto. Sei que devo ser o único brasileiro do mundo a ter essas dúvidas, mas gostaria de obter uma resposta pelas dificuldades que tenho em consultar livros especializados, estando aqui no Japão. 

Reginaldo O. — Togane, Japão 

Prezados amigos: noto que todos ficaram em dúvida ao se depararem com estes femininos (clínica, música, indonésia, matemática, estatística, etc. ) que coincidem com o próprio nome da profissão, da instituição ou do lugar de origem. É verdade que, às vezes, o efeito é tão desagradável que nos faz hesitar. No caso da música, temos a feliz possibilidade de utilizar o sinônimo musicista, comum de dois gêneros, evitando assim frases esquisitas ou ambíguas como “esqueci aquela música“, “a música estava silenciosa”, etc.

No caso da clínica, não há substituto; o máximo que podemos fazer é inverter a ordem dos elementos, usando “Fulana de Tal, Clínica Geral”. Vejam a confusão que se estabelece entre a “Clínica Geral Mariazinha dos Anzóis” — nome que foi dado a uma instituição — com “a pneumologista Teresinha de Jesus e a clínica geral Mariazinha dos Anzóis” — o nome de duas profissionais da Medicina. Em situações como essa, o melhor é contornar. 

Quanto ao feminino indonésia, a dificuldade é a mesma que enfrentamos com os femininos armênia e argentina, iguais aos nomes dos países de origem. Meu caro Reginaldo, se não queres dizer que tua esposa é indonésia (o que estaria correto), podes muito bem empregar indonesiana, já que o termo é bastante empregado e esta formação sufixal também é muito usada na formação dos adjetivos gentílico de nosso idioma. Lembro-te que o Brasil chama de canadense o que Portugal chama de canadiano; temos tanto argelino quanto argeliano, alasquense ou alasquiano, baiense e baiano, bósnio e bosniano, salvadorenho e salvatoriano, palestino e palestiniano. Abraço para todos. Prof. Moreno

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