mato-grossense

Prezado Professor: na dúvida sobre como deveríamos grafar o nome do campeonato estadual do Mato Grosso, seguimos a orientação do dicionário e colocamos em nosso site Campeonato mato-grossense de futebol. Ao apresentá-lo para a Federação, entretanto, exigiram-nos que “corrigíssemos” para matogrossense, que é, de maneira geral, a forma que vemos diariamente na imprensa. Imagino-me no Rio Grande do Sul, onde o dicionário nos ensina a escrever rio-grandense-do-sul, e de maneira alguma essa construção é comum na imprensa escrita. Existe realmente essa tolerância na junção dessa expressão ou devo bater o pé para incluir o hífen aí? Abraços.

Jorge Maia — Sinop (MT)

Meu caro Jorge: deves bater o pé; melhor ainda: deves bater os dois pés! Felizmente para nós todos, a ortografia está acima de todas as autoridades e instituições. Imagina se a Federação Mato-Grossense de Futebol tivesse poderes para legislar sobre a maneira correta de grafar os vocábulos do Português! A julgar pela pouca ciência que demonstram ao “condenar” esse hífen, ia ser um verdadeiro horror!  Todos os gentílicos compostos levam hífen; esta é a regra. Por isso, passo-fundense, rio-branquense, mato-grossense, cabo-verdiano. Não há o que discutir: é uma das poucas regras absolutas do emprego do hífen. Os dicionários escrevem assim, a Academia escreve assim, os gramáticos também — e a Federação Mato-Grossense de Futebol não concorda? A imprensa mato-grossense costuma escrever sem o tracinho? Deveriam todos ficar envergonhados. No Rio Grande do Sul, as pessoas que tiveram estudo escrevem rio-grandense e sul-rio-grandense; as outras, não. É simples assim. Abraço. Prof. Moreno 

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