formação de abreviaturas

“Caro Doutor, minha dúvida é a seguinte: existe alguma abreviatura para a palavra armazéns? Trabalho em uma empresa chamada “União Tabajara de Armazéns Gerais Ltda.”, sendo que a abreviatura que usamos para a referida palavra é AZ. Seria o correto?”

Caroline M. — Paranaguá (PR)

Prezada Caroline: ninguém hoje se interessa mais por abreviaturas, a não ser os guardiães da correspondência oficial. No entanto, o princípio que rege atualmente a abreviação de uma palavra é que ela seja interrompida em algum lugar preciso, geralmente numa consoante: gov. (governo), gen. (general), lat. (latitude), méd. (médico). Nota que isso elimina a possibilidade de se criarem novas abreviaturas descontínuas, formadas pelo início da palavras mais alguma parte salteada — como seria o teu “AZ”. Assim, armazém seria arm. ou armaz. — o que, a meu ver, é muito trabalho por nada. Não vale a pena abreviar, se é assim.

 O que está começando a surgir, no entanto, é um tipo híbrido de sigla, que não segue os princípios habituais do idioma, e que consiste em representar um nome por um conjunto inconfundível de letras. Vais ver exemplos disso no código utilizado pelas empresas aéreas, que indicam Porto Alegre como “POA”, por exemplo, o que torna essa cidade identificável em qualquer parte do mundo, ou naquela linguagem apressada do chat, em que beleza vira “blz”. Aí até poderia vingar um “AZ” — mas não me parece adequado fazer esse tipo de experimentação numa empresa comercial, que tem de manter uma imagem respeitável em suas relações no mercado. Portanto, se fazes questão de abreviar, trata de ficar com o arm. ou o armaz. Abraço. Prof. Moreno

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