recorde

Prof. Moreno: em todos os livros de Português, vejo a palavra recorde com a sílaba tônica assim: /reCORde/. Por que, então, nos telejornais (Globo, Record, Bandeirantes…) e em jornais de rádio, alguns conceituados como a Jovem Pan, além do Jô Soares, enfim… toda essa mídia, fala-se /REcord/e (puxado com a fonética do Inglês record)? Que salada! Por favor, qual, afinal, é a forma correta?

Geraldo.

Meu caro Geraldo: não existe a “forma correta”. Se considerares (como eu e a maioria dos que escrevem sobre nosso idioma) o vocábulo como já aportuguesado, vais defender /reCORde/; se, no entanto, ainda o considerares um vocábulo estrangeiro, vais defender /REcord/, com a tônica no /re/. Tanto no Houaiss quanto no Aurélio já se encontra a forma nacionalizada recorde, sem acento (portanto, paroxítona), com o “e” epentético no final. Tua hesitação, no entanto, é natural: todos os vocábulos estrangeiros que entram no Português passam por um tempo de indefinição, em que as forças mais progressistas defendem a forma adaptada e as forças conservadoras se plantam ainda na forma tradicional, estrangeira. Eu, por exemplo, já uso xópin, no lugar de shopping; e tu? 

Agora, por que tanta gente na mídia prefere a forma em Inglês, isso eu não sei responder não; posso apenas especular que deve se tratar de uma tentativa de soar chique, sofisticado. A vizinha da minha avó costumava dizer que ia ao /restorã/, quando falava no restaurante; seu marido, para combinar, só tomava /vermu/ (em vez de vermute) doce. Pode? Abraço. Prof. Moreno

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