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adjunto adnominal ou complemento nominal?

Diferentemente dos adjuntos adnominais, que só podem estar ligados a SUBSTANTIVOS, os complementos nominais podem ligar-se também a ADJETIVOS e a ADVÉRBIOS.

 


Caro Doutor, necessito de sua ajuda. No período “A explicação destes assuntos ao diretor será dada pelo funcionário”, destes assuntos é adjunto adnominal ou complemento nominal?

Pedro M.C. — Uberaba (MG)

Meu caro Pedro: quando se trata de elemento preposicionado, a distinção entre o adjunto adnominal e o complemento nominal geralmente é muito simples. Podemos apontar várias situações em que não há dificuldade alguma em identificá-los:

(1)  Se o elemento preposicionado estiver ligado a um substantivo concreto, só pode ser adjunto (casa de pedra, lápis de Antônio, estante de livros).

(2) Se estiver ligado a um adjetivo ou advérbio, só pode ser complemento (capaz de tudo, apto para o serviço, perto de casa).

(3) Se estiver ligado a um substantivo abstrato por qualquer preposição que não seja DE, só pode ser complemento (obediência às leis, simpatia por crianças, insistência no detalhe).

A única situação em que se admite dúvida entre adjunto adnominal e complemento nominal é quando temos [substantivo abstrato + preposição DE + substantivo] — exatamente como na frase que mandaste: a explicação + de + estes assuntos.

Nesse caso — repito, que é o único em que se admite a dúvida entre o AA e o CN —, começo lembrando que explicação é um substantivo abstrato de ação, formado a partir do verbo explicar, num processo que podemos chamar de nominalização. Ora, sabe-se que os substantivos assim formados têm sua sintaxe dependente da sintaxe do verbo que lhes deu origem — ou, dito de outra forma,  a sintaxe do verbo primitivo vai determinar a sintaxe do substantivo que dele se formar.  O princípio é simples: o que era sujeito do verbo passa a ser adjunto adnominal do substantivo derivado, e o que era complemento do verbo passa a ser complemento nominal. Essa equivalência fica bem clara se compararmos um par de frases como (1) “A repórter contestou o cálculo do ministro” e (2) “A repórter contestou o cálculo dos juros“. Em (1), do ministro é AA de cálculo (“o ministro calculou”); em (2), dos juros é CN de cálculo (“alguém calculou os juros).

Outro par semelhante: (1) “A construção da casa foi embargada” e (2) “A construção de Sérgio Naya foi embargada”. Como a frase (1) provém de  “alguém constrói a casa“, casa é CN de construção; no entanto, na frase (2), que provém de “Sérgio Naya constrói alguma coisa”, Sérgio Naya é AA de construção.

Como podes ver, no exemplo que enviaste — “a explicação destes assuntos” — destes assuntos é complemento nominal de explicação. Ficou mais claro assim? Abraço. Prof. Moreno

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complemento nominal?


Diferentemente dos adjuntos adnominais, que só podem estar ligados a substantivos, os complementos nominais podem ligar-se também a adjetivos e a advérbios.

Prezado Professor, tudo bem? Na frase “Virgínia, moradora na Rua das Acácias, foi assassinada quando saía de casa”, a expressão em destaque é complemento nominal ou adjunto adnominal? Aprendi que os complementos nominais completam apenas o sentido de substantivos abstratos — o que não é o  caso de moradora, que me parece ser um substantivo concreto.

Fernando Bueno

Prezado Fernando: houve aqui uma pequena confusão. Quando dizemos que o complemento nominal completa apenas substantivos abstratos, estamos afirmando, implicitamente, que ele não se refere aos concretos. Isso apenas define o problema quanto aos substantivos. No entanto, o alcance do complemento vai mais adiante: pode ligar-se também a adjetivos (temente a Deus, obediente à lei, apto para o serviço) ou a advérbios (perto da minha casa). Na frase que você menciona, moradora é um adjetivo derivado do verbo morar, que exige um tipo de complemento que o prof. Luft chama de complemento adverbial (mora na floresta, vive no mundo da Lua, etc.). Pela transformação clássica, os complementos verbais sempre se transformam em complementos nominais — o que nos autoriza a dizer que na Rua das Acácias é complemento, e não adjunto.

Entendo por que você classificou moradora como substantivo: houve aqui aquela substantivação habitual que os adjetivos ligados a seres humanos podem sofrer. Por exemplo, o adjetivo bebedor em “Fulano de tal, bebedor de cerveja” pode aparecer substantivado em “os bebedores de cerveja fazem muito barulho”, mas isso não altera o fato de que  de cerveja é um complemento nominal de bebedor. Foi o que ocorreu nesta frase que estamos analisando

Finalmente, em “Virgínia, moradora na Rua das Acácias“, quero chamar sua atenção para um detalhe valioso que não posso deixar de mencionar: a presença da preposição EM. Nunca esqueça, amigo: a hesitação entre adjunto adnominal e complemento nominal só existe quando tivermos um sintagma preposicionado com a preposição DE, e só com ela; quando você enxergar qualquer outra preposição que não seja esta, pode ter certeza de que está diante de um complemento. Abraço. Prof. Moreno




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