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concordância com o sujeito deslocado

Parece mentira, mas uma banal alteração na ordem dos elementos da frase provoca um dos erros mais comuns de concordância verbal

 

Falta só dois reais“, diz o rapaz da livraria, enquanto procura nos próprios bolsos o troco que não tinha no caixa. Levanto os olhos para ele e hesito; uma vida toda como professor de Português me deu uma grande sem-cerimônia em corrigir o que os outros falam de errado, mas a experiência também me ensinou que nem todos aceitam de bom grado uma lição gratuita. Recebo as duas moedas e me afasto, pensando que, ao menos, nem tudo estava perdido, já que ele não disse o  *dois real de sempre. Eu compreendo o que ocorreu: tenho certeza de que o balconista sabe (conscientemente ou não, ele sabe) que o verbo deve combinar com o sujeito, nesse fenômeno que chamamos de concordância. Não se trata de caprichar a linguagem que ele está usando; é muito mais profundo. Ele nasceu dentro dessa língua e dentro dela virou gente; logo, este princípio está gravado tão claramente em algum ponto de seu sistema nervoso quanto os comandos que permitem que ele alterne os pés para caminhar para a frente. Ora, como é que algo tão elementar e fundamental pôde ser desconsiderado, a ponto dele usar *falta em vez de faltam? É muito simples: ele  não   “enxergou”  o sujeito.

Talvez esta seja a maior fonte de erros de concordância no Português. Estamos acostumados a encontrar  o sujeito no começo da frase; quando ele é deslocado para uma posição À DIREITA do verbo, é muito provável que o  confundamos com os complementos. Quando escrevemos, com todo aquele tempo que temos para refletir e revisar, um exame um pouco mais detalhado da estrutura identifica o sujeito; a maioria das pessoas, contudo, deixa de fazê-lo, cometendo esse tipo de erro. Veja os exemplos abaixo, todos com erro de concordância; como as expressões em destaque são o SUJEITO da frase, o verbo deveria estar no plural em todas elas:

* No ano passado teve início as conferências.
* Foi anunciado, em São Paulo, os nomes que compõem o Ministério.
* Ficou provado, desta forma, as tentativas de suborno.
* Espero que seja explicado para todos nós as razõe de sua atitude.

Este erro é ainda mais freqüente com aquele pequeno grupo de verbos que normalmente têm o sujeito à sua direita: EXISTIR, OCORRER, ACONTECER, FALTAR, RESTAR, SOBRAR, BASTAR, CABER. Entre os exemplos abaixo, em que os elementos em destaque são o SUJEITO da frase, encontramos o erro de nosso balconista:

Faltam dois reais.
Existem aí coisas horríveis.
Bastam dois comprimidos.
Sobraram três fatias.
Ocorreram fenômenos inexplicáveis.

Após o Acordo: freqüente > frequente

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Testes – Concordância com verbos impessoais

[Antes de fazer os testes, leia Concordância com verbos impessoais]

 

1 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está CORRETA:

a) Mesmo que se tratem de pessoas honestas, exija um fiador.
b) É importante que haja muitas faculdades de Letras.
c) Espero que, em fevereiro, façam dias menos ventosos.
d) Haviam quatro semanas que o navio estava no porto.
e) Se não houverem imprevistos, chegaremos amanhã.

 

2 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está ERRADA:

a) Onde você andava? Fazem mais de três horas que a espero.
b) Talvez houvesse soluções melhores do que aquela.
c) Você não acha que basta de provocações?
d) Vão terminar acontecendo coisas desagradáveis
e) Haviam ocorrido vários acidentes naquele local.

 

3 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está ERRADA

a) Acho que devem bastar duas colheres de açúcar.
b) de haver outras saídas.
c) Hão de existir outras saídas.
d) Podem tratar-se de vírus desconhecidos.
e) Deve passar das quatro horas.

 

4 – Assinale a alternativa em que o verbo grifado deve ser pluralizado, a fim de que a concordância verbal fique CORRETA:

a) Em fevereiro deverá fazer dias melhores.
b) Espero que haja sobrado algumas cervejas.
c) Já começa a haver esperanças.
d) Aqui nunca havia feito verões tão rigorosos.
e) Não pode haver hesitações

 

5 – Este ano ……….. as festas que ……….., que eu não comparecerei a nenhuma.

a) pode haver           – haver
b) podem haver        – haverem
c) pode haver           – houver
d) pode haver           – houverem
e) podem haver        – houver

 

6 – No domingo, ……… seis meses que as aulas começaram; pode-se dizer que só ………. trinta dias para as férias.

a) fará           – falta
b) farão         – falta
c) fará           – faltam
d) faz            – falta
e) fazem        – faltam

 

7 – Não ……… condições para se …….. os trabalhos; mesmo que as …….., era tarde.

a) havia              – recomeçar               – houvessem
b) haviam           – recomeçarem          – houvessem
c) haviam           – recomeçar               – houvesse
d) haviam           – recomeçar               – houvessem
e) havia               – recomeçarem          – houvesse

 

8 – ………ainda muitos dias para que ele volte? Afinal, ………bem uns dois meses que ele foi viajar.

a) Faltará           – deve fazer
b) Faltará           – devem fazer
c) Faltarão         – devem fazerem
d) Faltarão         – devem fazer
e) Faltarão          – deve fazer

 

9 – Já ……… muitos anos que só ………. ruínas das construções que…….. nesta cidade.

a) fazem       – existe           – haviam
b) fazem       – existe           – havia
c) fazem        – existem        – haviam
d) faz           – existem         – havia
e) faz           – existem         – haviam

 

10 – Todos os parafusos que ………. demais naquele relógio, noutros ………. falta. ………. dez anos que a queixa era a mesma.

a) havia           – fazia         – Havia
b) havia           – faziam      – Havia
c) haviam        – faziam      – Haviam
d) haviam        – fazia         – Haviam
e) haviam         – faziam      – Havia

 

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Concordância com verbos impessoais – HAVER, FAZER, etc.

Qualquer brasileiro sabe que a regra de ouro de nossa sintaxe é a de que todo verbo concorda com o sujeito da frase. O que devemos fazer, contudo, com aqueles verbos que não são atribuídos a sujeito algum, os chamados verbos impessoais? O uso culto prefere deixá-los imobilizados na 3a. pessoa do singular. Felizmente esses verbos formam um grupo extremamente reduzido:


1. HAVER – Este verbo, quando usado nos sentidos de “existir” ou “ocorrer”, fica sempre  na 3ª do singular (o elemento em destaque é analisado como objeto direto):

 

CORRETO:

EVITE:
  • Havia dez interessados.
  • Haviam dez interessados.
  • Aqui houve alterações.
  • Aqui houveram alterações.
  • Haverá sessões contínuas.
  • Haverão sessões contínuas.

 

Você já deve ter-se acostumado a ouvir *”haviam pessoas”, *”haverão dúvidas” — construções provavelmente inspiradas, por analogia, em “existiam pessoas” e “existirão dúvidas”, mas com certeza ficaria surpreso se soubesse o quanto se discute, entre os estudiosos, a conveniência de considerar, de uma vez por todas, o verbo haver como um verbo comum com sujeito posposto. Há bons argumentos contra e bons argumentos  a favor desse “reenquadramento” de haver, e tanto um quanto o outro lado têm a defendê-los jovens e velhos gramáticos. Aqui se trata, porém, de definir um item do uso culto escrito; portanto, se você quer se sentir seguro, não invente moda e opte por deixar o verbo sempre no singular. Em outras palavras: se você não quer chamar a atenção de todos durante a cerimônia, use gravata (e, de preferência, com um nó clássico).


2. FAZER (e HAVER, também), indicando TEMPO DECORRIDO

CORRETO:                                           EVITE:

  • Faz três meses.                                  * Fazem três meses.
  • Amanhã fará dois anos.                     * Amanhã farão dois anos.
  • Fazia duas horas que esperava.         * Faziam duas horas que esperava.
  • Havia dois dias que não comia.         * Haviam dois dias que não comia.


3. FAZER, indicando CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS:

CORRETO:                            EVITE:

  • Fez dias belíssimos.           * Fizeram dias belíssimos.
  • Ali fazia 40° à sombra.       * Ali faziam 40° à sombra.


4. PASSAR DE, em expressões de tempo:

CORRETO:                              EVITE:

  • Passava das duas horas.      * Passavam das duas horas.
  • Passa das três da tarde.       * Passam das três da tarde.


Não confunda esta estrutura, que é considerada  SEM SUJEITO (note que “duas horas”, “três horas”, etc., vêm precedidos da preposição DE), com o verbo PASSAR que aparece nos exemplos abaixo, em que “três horas” e “três minutos” funcionam como SUJEITO:

  • Passam três horas do meio-dia.
  • Passavam três minutos das duas.


5. BASTAR DE e CHEGAR DE:

  • Basta de reclamações      (e não *bastam de)
  • Chega de pedidos             (e não *chegam de)


6. TRATAR-SE DE, com referência a uma afirmação anterior.


  • CORRETO:     Lá vêm elas. Não esqueça: trata-se das filhas do prefeito.
  • EVITE:            Lá vêm elas. Não esqueça: *tratam-se das filhas do prefeito.

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Para o falante brasileiro, as três frases abaixo são sinônimas

  • (1) Não havia dinheiro no cofre.
  • (2) Não existia dinheiro no cofre.
  • (3) Não tinha dinheiro no cofre.

Se trocarmos dinheiro por documentos, no entanto, está armada a confusão:

  • (1) Não HAVIA documentos no cofre.
  • (2) Não EXISTIAM documentos no cofre.

A frase (3) é mais complicada, pois o uso de ter com valor existencial ainda é classificado como inadequado na língua culta formal escrita. Se quisermos assim mesmo empregá-lo, vamos ter de escolher qual dos dois modelos (o de haver, impessoal, ou o de existir) ele vai seguir. Minha intuição aponta para a primeira hipótese: “Não tinha documentos no cofre”.

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Testes sobre a passiva sintética – Respostas comentadas

[Testes sobre a concordância com a passiva sintética]

Respostas comentadas

Questão 1 – Na primeira lacuna, viver fica no plural para concordar com o sujeito, “as civilizações modernas”. O verbo cancelar, que é transitivo direto, está numa construção de passiva sintética; vai para o plural, pois o sujeito é “todas as restrições” (equivale, na passiva analítica, a “todas as restrições SÃO ACEITAS”). Na terceira lacuna, não se trata de passiva sintética, porque o verbo obedecer é  transitivo indireto (notem a presença da preposição A); fica no singular, portanto, pois é um simples caso de sujeito indeterminado. A resposta é  A.

Questão 2 –  Na primeira lacuna, expor é transitivo direto; temos aqui um caso de passiva sintética. O sujeito, “os assuntos”, faz o verbo ficar no plural. Cuidado: atrair, na segunda lacuna, fica no singular, porque o sujeito é “a maneira”, e não “assuntos”. O pronome relativo “que”, sujeito da última oração, representa o antecedente “alunos”, levando queixar-se para o plural. A resposta é B.

Questão 3 – Esta é uma excelente questão para mostrar  a diferença entre as duas principais construções em que aparece o SE em nosso idioma: (1) a voz passiva sintética, com verbos transitivos diretos, e (2) o sujeito indeterminado, com intransitivos e transitivos indiretos. Na frase apresentada no cabeçalho, tínhamos “que se LEVANTEM  os problemas” (pas. sintética), “que se REFLITA sobre os assuntos (sujeito indeterminado – o verbo é t. indireto) e “não se TOMEM medidas (pas. sintética). Na substituição proposta, falar, na primeira lacuna, fica no singular, pois é suj. indeterminado; avaliar é transitivo direto, e vai para o plural (pas. sintética); pensar fica no singular, porque seu sujeito também é indeterminado. A resposta é A.

Questão 4 – As duas primeiras lacunas completam estruturas de passiva sintética: “que se READMITAM todos os desempregados” (igual a “que todos os desempregados SEJAM READMITIDOS”) e “que se ESQUEÇAM todos esses desentendimentos” (igual a “que todos esses desentendimentos SEJAM ESQUECIDOS”). A última oração é a mais perigosa, pois está presente o verbo desejar; ora, como vimos, os verbos que exprimem vontade ou intenção bloqueiam a voz passiva (os chamados “auxiliares volitivos”); o verbo fica no singular. A resposta é D.

Questão 5 – Muito semelhante à anterior: as duas primeiras construções são de passiva sintética – “quando se ESGOTAM as possibilidades, BUSCAM-se os pais do casal”. Há uma dificuldade adicional, contudo:  a banca intercalou, entre o verbo e o seu sujeito, expressões no singular (“meu amigo” e “em última instância”), que podem ter levado muitos candidatos a deixar o verbo no singular. A terceira lacuna envolve pretender, outro auxiliar que exprime vontade, o que explica o verbo principal no singular. A resposta é C.

Questão 6 – Da mesma forma que o verbo haver, a construção “tratar-se de” é impessoal (ou seja, não tem sujeito algum), ficando sempre no singular. Resolver está numa estrutura de passiva sintética e, portanto, vai concordar com  coisas (“coisas simples que se RESOLVEM facilmente” = “coisas simples que SÃO RESOLVIDAS facilmente”). A última oração também apresenta a passiva: “EVITEM-se discussões”. A resposta é E.

Questão 7 – A primeira oração é uma passiva sintética: “ali onde se VÊEM as cruzes” = ali onde “as cruzes SÃO VISTAS”. Já na segunda o verbo fica no singular: é um simples caso de sujeito indeterminado, uma vez que assistir, no sentido empregado, é transitivo indireto. A resposta é A.

Questão 8 – No primeiro verbo, temos um caso simples de sujeito posposto (“dúvidas”). O sujeito do segundo está também posposto: “as críticas”. A terceira oração tem uma passiva sintética: “as críticas que SE FIZERAM ao projeto” (na analítica, seria “as críticas que FORAM FEITAS ao projeto”).  A resposta é D.

Questão 9 – Na segunda lacuna, o verbo haver, que é impessoal, faz com que o seu auxiliar estar também se impessoalize: “ESTÁ havendo”. A terceira lacuna recebe o verbo no plural, porque se trata de uma voz passiva sintética, cujo sujeito é “irregularidades”. O sujeito de afirmar, na primeira lacuna, é a oração subjetiva “que está havendo irregularidades”; o verbo ficará, portanto, no singular. A resposta é C.

Questão 10 – A primeira lacuna envolve uma passiva sintética: “que SE FAÇAM todas as recomendações”. Na segunda, aparece o verbo fazer impessoal (indicando tempo decorrido); fica no singular, portanto. Na terceira, temos nova passiva: “que SE COMETEM os mesmos erros” (igual a “que SÃO COMETIDOS os mesmos erros”). A resposta é D.

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Testes – concordância com a passiva sintética

Dez testes selecionados (e comentados) pelo Doutor; avalie o quanto você sabe sobre esse pesadelo de nossa concordância verbal.

 

Prezado leitor: estes testes se referem ao conteúdo explanado em Concordância com a passiva sintética.


1 – A crise no emprego da língua materna insere-se no contexto mais amplo das circunstâncias culturais em que ……… as civilizações modernas. Numa época em que se ……… todas as restrições e em que se ………. a todas as normas estabelecidas, não há, seguramente, maior zelo pela linguagem.

a) vivem              cancelaram          desobedece
b) vive                 cancelaram          desobedece
c) vive                 cancelou             desobedece
d) vive                 cancelaram          desobedecem
e) vivem              cancelaram          desobedecem

 

2 – A maneira como se ……… os assuntos não ……… os alunos, que disso se ……… .

a) expõe              atraem         queixa
b) expõem           atrai             queixam
c) expõem           atraem         queixam
d) expõem           atrai             queixa
e) expõe              atraem         queixam

 

3 – (PUC) “Convém que se LEVANTEM os problemas, que se REFLITA sobre os assuntos e não se TOMEM medidas apressadas.”

Substituindo-se os verbos sublinhados respectivamente por FALAR, AVALIAR e PENSAR, obtém-se a construção correta

a) Convém que se fale dos problemas, que se avaliem os assuntos e não se pense em medidas apressadas.
b) Convém que se falem dos problemas, que se avaliem os assuntos e não se pensem em medidas apressadas.
c) Convém que se fale dos problemas, que se avalie os assuntos e não se pense em medidas apressadas.
d) Convém que se falem dos problemas, que se avalie os assuntos e não se pensem em medidas apressadas.
e) Convém que se fale dos problemas, que se avalie os assuntos e não se pensem em medidas apressadas.


4. Espero que se ………. todos os desempregados e que se …….. todos esses desentendimentos que não se …….. causar.

a) readmitam          esqueçam      desejavam
b) readmitam          esqueça         desejavam
c) readmita             esqueça         desejava
d) readmitam          esqueçam      desejava
e) readmitam          esqueça         desejava

 

5 –  Quando se ………, meu amigo, todas as possibilidades de conciliação, ………., em última instância, os pais do casal. Desta forma, obtemos, muitas vezes, as soluções que se …….. atingir.

a) esgota             busca-se             pretendiam
b) esgota             buscam-se          pretendia
c) esgotam          buscam-se          pretendia
d) esgotam          busca-se             pretendia
e) esgotam          buscam-se          pretendiam

 

6 – ……….-se de coisas simples que se……… facilmente;……..-se, portanto, discussões paralelas.

a) Trata         resolverá      evite
b) Tratam      resolverá      evitem
c) Tratam       resolverão    evite
d) Tratam       resolverão    evite
e) Trata           resolverão    evitem

 

7 – Ali onde se ……… aquelas cruzes ………. cenas de selvageria, durante os combates.

a) vêem               assistiu-se a
b) vêem              assistiram-se a
c) vê                   assistiram-se a
d) vê                   assistiu-se
e) vê                  assistiu-se a

 

8 – Não …….. dúvidas de que ……….de razão as críticas que se ………. ao projeto.

a) resta                carecem     fez
b) resta                carece        fizeram
c) resta                carece        fez
d) restam             carecem     fizeram
e) restam             carecem     fez


9 – ………, em todos os cantos da cidade, que ………. havendo irregularidades nas eleições que se ………. no município.

a) Afirma-se               estão          organizaram
b) Afirma-se               estão          organizou
c) Afirma-se               está            organizaram
d) Afirmam-se            está            organizou
e) Afirmam-se            estão           organizou

 

10 – Urge que se ……… todas as recomendações, pois já ………. meses que se ……… os mesmos erros.

a) façam      fazem         cometem
b) façam      faz              comete
c) faça         fazem         comete
d) façam      faz              cometem
e) faça         faz              comete

 

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a maioria dos homens

Professor: tenho 12 anos e estou na 7ª série. Fiquei indignada com a correção que minha professora de Português fez na minha redação, considerando errada a concordância na frase “A maioria dos homens FICA ENCABULADA de fazer os exames de próstata”. Segundo ela, o correto seria ” maioria dos homens FICAM ENCABULADOS”. Ora, tenho quase certeza de que minha forma está correta. Pode haver outra forma para a mesma frase, como a professora sugere? Ou será que ela teria cometido uma falha grave?

Camilla S.

Minha cara Camilla: eu também prefiro a concordância com o núcleo do sintagma (“a MAIORIA dos homens FICA“), mas todos os gramáticos prescritivos concordam em admitir, também (ou seja: é uma “licença” que aqueles senhores “concedem” por causa do uso) a concordância com o termo periférico: “a maioria dos HOMENS FICAM”). Escrevi algo a respeito no meu saite, em concordância com percentuais. Só há um complicadorzinho no teu caso específico, que é o adjetivo encabulado. Se optarmos (como tu e eu) pela concordância com o núcleo maioria, o adjetivo fica encabulada — “A maioria dos homens fica ENCABULADA”, como escreveste — o que não soa tão bem, vamos confessar, quanto “a maioria dos homens ficam ENCABULADOS“. Talvez por isso a professora tenha preferido a concordância opcional com homens. De qualquer forma, o que escreveste está correto; resta saber se ela corrigiu por considerar “errado” ou por estar apenas aconselhando o que fica melhor na frase (coisa que eu faço a toda hora nas redações que examino). Fala com ela. Abraço. Prof. Moreno

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concordância com percentuais

Prezado professor, pediram-me que escrevesse um cartaz em que aparecia a frase:”20% da renda serão destinados a instituições de caridade“. Alguns colega de trabalho argumentaram que o verbo deveria estar no singular para concordar com renda. Como não chegamos a um consenso, resolvi mudar o cartaz para “Serão destinados 20% da renda a instituições….”. Um dia depois, alguém riscou o cartaz, trocando para “será destinado“, e anexou uma “regra” da gramática do Napoleão Mendes de Almeida explicando o assunto. Mesmo assim, entendo que o verbo no plural não esteja errado. O que o senhor acha?

Paulo — Porto Alegre

Meu caro Paulo: tu estavas com a razão desde o início. Na concordância com percentuais, tudo o que for igual ou maior que dois deve ser considerado PLURAL: “2,5% da quota valem muito”, “30% da assembléia votaram …”. É claro que aqui o elemento periférico do sintagma, que se liga ao núcleo por meio de uma preposição (quota, assembléia),  exerce uma forte atração semântica, o que leva muita gente a fazer a concordância com o periférico, e não com o núcleo: “2,5% da quota vale muito”, “30% da assembléia votou“. Todos os gramáticos também aceitam essa hipótese.

Tu já deves ter observado o mesmo fenômeno  com as expressões partitivas do tipo  “a metade dos alunos”, “grande parte dos eleitores”. A concordância normal é com o núcleo: “a METADE dos alunos FALTOU”, “grande PARTE dos eleitores se ABSTEVE”; contudo, é perfeitamente aceitável (e compreensível) “a metade dos alunos faltaram“, “grande parte dos eleitores se abstiveram“. Nota o que estou dizendo: é também aceitável; eu não disse preferível. Eu, particularmente, só faço a concordância com o núcleo, por várias razões que não cabe aqui discutir:

20% da renda SERÃO DESTINADOS a instituições de caridade.

20% da renda SERÁ DESTINADA a instituições de caridade.

As duas hipóteses estão corretas; contudo, a primeira é a determinada pela estrutura de nossa língua — e a que existe por “licença” de uso é a segunda. Se teus colegas preferem a segunda, tudo bem; tu, no entanto, podes ficar com a que escolheste.

Quanto ao Napoleão (autor que eu cito em vários pontos deste saite, sempre com adjetivos como “folclórico”, “peculiar”, etc.), não concordo com as regras dele sobre este caso de concordância. Entre os especialistas, ele é visto como um autodidata muito experiente, agudo observador do idioma, valente defensor da boa linguagem, mas cheio de idéias próprias (e, não raro, completamente fantasiosas). Ele às vezes dá no prego, mas muitas vezes dá na tábua. Eu já encontrei ótimas observações, tanto em  sua Gramática Metódica quanto em seu Dicionário de Questões Vernáculas — mas tive também várias confirmações de que o leitor leigo não consegue distinguir o que é confiável do que é mero palpite.

Achei divertidíssima a mudança que fizeste no teu cartaz: de “20% da renda serão destinados” passaste para “Serão destinados 20% da renda”! Trocaste seis por meia dúzia! A inversão da ordem sujeito—verbo para verbo—sujeito não tem efeito algum sobre a concordância — embora eu reconheça que essa inversão deve ter acalmado alguns de teus opositores, porque deixou o verbo  mais próximo do sujeito. Abraço. Prof. Moreno

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“você” é 2ª ou 3ª pessoa?

Prezado professor Moreno: tenho uma dúvida quanto ao uso dos possessivos. Aqui em Minas Gerais usamos sempre o você em lugar do tu, fato que gera várias confusões e ambigüidades com o uso simultâneo da 2ª e da 3ª pessoa. Eu tento manter a uniformidade pronominal, mas há uma situação em que ainda fico em dúvida: quando estou me dirigindo a dois interlocutores e quero me referir a um objeto que pertence a ambos, que pronome possessivo devo usar? Já ouvi dizerem “O carro de vocês está com o pneu furado”; na fala popular, ouvi “Seus carro está com o pneu furado” (ai, que dor no ouvido!); sei também que se pode empregar o pronome da 2ª pessoa do plural (nunca usado por aqui): “Vosso carro está com o pneu furado”. Este “de vocês” pode ser considerado correto segundo a norma culta? Ou só se admitiria o “vosso carro”?

Juarez A. –  Pedro Leopoldo  (MG)

Meu caro Juarez, acho indispensável começar por uma importante distinção: as pessoas do discurso não são as mesmas pessoas gramaticais. As pessoas do discurso se definem por sua posição no ato comunicativo: a 1ª pessoa é a que fala (eu, nós); a 2ª, com quem eu falo (tu, vós, você, vocês, o senhor, etc.); a 3ª é de quem eu falo (ele, eles). Nota que, por esta classificação, você é uma das opções que nosso idioma oferece para designar a pessoa com quem estamos falando – a 2ª pessoa do discurso, portanto. Como tu mesmo observaste, uns tratam seu interlocutor de tu, outro preferem usar você. A escolha é livre.

As pessoas gramaticais, por sua vez, é que nos dizem qual a flexão verbal que vamos usar, que pronome oblíquo vamos selecionar, e assim por diante. Se compararmos “Tu te arrependeste de tua escolha” com “Você se arrependeu de sua escolha”, veremos que o tu é acompanhado de formas da pessoa gramatical (te, arrependeste e tua), enquanto o você corresponde a formas da pessoa gramatical (se, arrependeu e sua). Aqui se encontra a fonte das confusões que descreveste: você é um  pronome da 2ª pessoa do discurso, mas usa (como todos os pronomes de tratamento) as formas da 3ª pessoa gramatical: “Você deve se orgulhar de seu filho” (assim como “Vossa Majestade pode se orgulhar de seu filho”). Só utilizaremos o possessivo vosso, portanto, quando a forma de tratamento escolhida for vós, cujo emprego (atualmente) ficou restrito a textos religiosos (“Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto em vosso ventre, Jesus”).

Vamos, agora, ao teu problema específico –  como se referir a um só objeto que pertence a vários interlocutores. Não esqueças que o pronome possessivo do Português sempre concorda com o substantivo que representa a coisa possuída (diferentemente do Inglês, em que concorda com a pessoa do possuidor). João tem um carro; ele guardou seu carro. João tem dois carros; ele guardou seus carros. João e Maria têm um carro; eles guardaram seu carro. João e Maria têm dois carros; eles guardaram seus carros. Vocês têm um carro; vocês guardaram seu carro. (Falando com dois irmãos): “Vocês devem agora falar com seu pai“. “Vocês deveriam passar mais tempo com sua família“. Como podes ver, não interessa se o possuidor é singular ou plural, mas sim o número da coisa possuída. Para você e os demais pronomes de tratamento, o possessivo correspondente é seu, sua, seus, suas; a forma a ser usada dependerá do substantivo que eles acompanham. No exemplo que enviaste, portanto, o uso culto oferece duas opções: “Seu carro está com o pneu furado” ou “O carro de vocês está com o pneu furado”. Abraço. Prof. Moreno

Depois do Acordo: ambigüidades > ambiguidades

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o povo brasileiro SOMOS?

Prezado Doutor: eu gostaria de saber se a frase “O povo brasileiro SOMOS patriotas” está correta. Grato. 

José Neto.

Meu caro José: o processo de concordância verbal é extremamente simples em nosso idioma: sujeito no singular, verbo no singular; sujeito no plural, verbo no plural. Como na tua frase o sujeito é o povo brasileiro — terceira pessoa do singular —, a concordância usual é “O povo brasileiro é patriota” — simples assim. No entanto, podemos, em ocasiões muito especiais (e bota ênfase nesse “muito”!), quebrar essa correspondência entre a marca de número e pessoa que o sujeito ostenta e a marca de número e pessoa que o verbo dele deve copiar. Nesses casos, desprezamos o que a forma gramatical do sujeito determina e preferimos levar em consideração os traços de número e pessoa que estão implícitos no seu significado. É a velha concordância ad sensum (“pelo sentido”), descrita em nossas gramáticas tradicionais com o nome de silepse ou concordância ideológica. Desta forma, aproveitamos para realçar nosso pertencimento (não está ainda nos dicionários, mas vai entrar na próxima edição) ao povo brasileiro, usando a primeira pessoa do plural: “Os brasileiros somos“. 

O efeito é muito esquisito, mas a construção aparece em autores clássicos, o que nos assegura que pode ser usado sem grandes reclamações. Todavia, como certas substâncias perigosas, o limite entre a dose adequada e a dose mortal é muito tênue. Sei que não pediste, mas dou-te um conselho: evita! Se no início alguns (poucos) escritores bons souberam usá-lo com adequação, logo, logo este recurso passou a ser de gosto extremamente duvidoso, pois os maus escritores (eram tantos!) do final do século XIX e do início do século XX gostavam de exibi-lo como sinal de domínio (!) do idioma — algo assim como andar de bicicleta sem usar as mãos ou de ponta-cabeça.

Bem diferente seria se, num texto, tu começasses a falar do povo brasileiro e, em seguida, passasses a usar a primeira pessoa do plural, assumindo tua identidade nacional e reforçando tua inclusão: “O povo brasileiro é tratado com inaceitável desprezo pelo capital estrangeiro. Basta! Não aceitamos mais …” — isso traz vários bons efeitos retóricos. Agora, assim de supetão, “o povo brasileiro somos…” — isso é para aqueles discursadores baratos que falam de cima de um caixotinho de querosene Jacaré. Outra solução seria simplesmente reformular tua frase para “Nós, o povo brasileiro, somos…”. Agora sim, o sujeito do verbo é nós, enquanto o povo brasileiro passa a ser apenas um aposto. Também fica bem palatável. Abraço. Prof. Moreno

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Concordância Lições de gramática

há de haver

Olá, Doutor Cláudio! Acompanho sua coluna semanalmente. Suas respostas são exemplares. Escrevo desta vez para tirar uma dúvida. Outro dia usei a forma “haverão de haver boas músicas”, só para soar original aos ouvidos de um amigo. Este, no entanto, ficou inconformado, dizendo que ela não existe, mas sim “há de haver boas músicas”. Afinal, existe ou não? Raciocinei do seguinte modo: não há dúvida de que posso dizer “Eu hei de conseguir isto”, bem como “As músicas hão de existir”. Pode-se substituir o verbo existir por haver; logo, posso usar “Haverão de haver boas músicas”. Se músicas estivesse no singular, aí sim o primeiro verbo haver estaria no singular. Gostaria de saber se o que falei faz sentido. Obrigado.

Alexandre D. (17 anos) — Brasília

Meu caro Alexandre: falando com a franqueza que me caracteriza, respondo-te que não, não faz sentido o que dizes — embora o teu empenho (e o teu engenho) em defender o teu ponto de vista mereça toda a minha simpatia. Estás esquecendo, no entanto, a relação que os verbos presentes numa locução verbal mantêm entre si: o da direita é sempre o principal, o da esquerda é sempre o auxiliar. Tudo o que vai acontecer com a locução (inclusive a concordância) dependerá dos traços determinantes do verbo principal, o que explica, aliás, essa denominação.

Observa: “PODEM existir boas músicas”, “DEVEM existir boas músicas”, “HÃO de existir boas músicas” — os auxiliares podem, devem e hão estão flexionados no plural, seguindo o modelo imposto pelo principal existir, que é um verbo pessoal, normal, que concorda com o sujeito boas músicas. Já em “PODE haver boas músicas”, “DEVE haver boas músicas”, “HÁ de haver boas músicas”, o verbo principal é haver, que transmite sua impessoalidade característica para os seus auxiliares (todos ficam invariáveis). Nestas estruturas, boas músicas é apenas objeto direto.

Embora nessas frases os verbos haver e existir sejam sinônimos, seu comportamento sintático sempre será diferente: o primeiro é impessoal, o segundo é um verbo normal. Recomendo-te que leias o que escrevi em concordância verbal: verbos impessoais, para que tenhas bastante base nas tuas futuras discussões. Um abraço; espero que mantenhas esse teu vivo interesse pelo Português. Prof. Moreno