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Testes sobre verbos impessoais – Respostas comentadas

[RESPOSTAS DOS TESTES PUBLICADOS AQUI]

 

1 – Em (A), temos a estrutura tratar-se de, o que exclui a possibilidade de “pessoas honestas” ser o sujeito. Em (C), o verbo fazer não poderia estar no plural porque indica um fenômeno da natureza, sendo, portanto, considerado impessoal. Em (D) e (E), o verbo haver está em seu emprego clássico de verbo impessoal; “quatro semanas” e “imprevistos” são considerados meros objetos diretos. A resposta é (B); o verbo haver está no singular por ser impessoal.

2 -Temos, em (B), o verbo haver corretamente mantido no singular, já que é impessoal (“soluções” é considerado objeto direto). Em (C), a estrutura bastar de é impessoal;  “provocações”, portanto, não é o sujeito. Em (D), o verbo principal da locução verbal é acontecer; o sujeito é “coisas desagradáveis”, e o verbo haver, que aqui é um simples auxiliar, tem de concordar com ele. Em (E), temos outra vez haver como mero auxiliar da locução; a concordância se faz naturalmente com o sujeito “vários acidentes”. A alternativa que tem erro  é (A); o verbo fazer, ao indicar tempo decorrido, deveria ficar no singular.

3 – Nas  locuções verbais, como vimos, o verbo que comanda a concordância é sempre o da direita. Em (A), devem concorda com o sujeito de bastar (“duas colheres de açúcar”). Em (B), o verbo haver torna impessoal a locução; em vista disso, o auxiliar fica invariável. Em (C), o sujeito da locução é “outras saídas”; o verbo haver, que aqui é um mero auxiliar de existir, faz a concordância normal. Em (E), passar de, impessoal, faz com que seu auxiliar (deve) permaneça invariável. A alternativa que tem erro é (D): tratar-se de é uma estrutura invariável, e assim também deveria ficar seu auxiliar.

4 – Outra questão com locuções verbais: deverá fazer, haja sobrado, começa a haver, havia feito e pode haver. Como vimos, a pessoalidade (ou não) da locução é determinada por seu verbo principal (aquele que ocupa a última casa da direita). Em (A), (C), (D) e (E), o verbo principal é impessoal, e seu auxiliar está corretamente no singular. A alternativa em que o auxiliar deveria ser pluralizado é (B), pois aqui haver é um simples auxiliar de sobrar e deveria concordar com “algumas cervejas”.

5 – As duas lacunas envolvem o verbo haver, aqui usado no sentido em que é considerado impessoal. Na primeira, ele é o verbo principal da locução [poder + HAVER]; o auxiliar, neste caso, mantém a impessoalidade do principal: pode haver. Na segunda lacuna, o verbo é usado com o mesmo sentido, ficando, igualmente, na forma do singular. Duas alternativas preenchem os requisitos indicados no cabeçalho da questão: (A) e (C). Contudo, em (A) o verbo não foi conjugado corretamente no futuro do subjuntivo; deveria ser houver, não haver. A resposta é (C).

6 – A primeira lacuna deve ser preenchida pelo verbo fazer, que, neste sentido de tempo decorrido, é considerado impessoal. O verbo da segunda lacuna – faltar – é perfeitamente normal, devendo concordar com o sujeito trinta dias. A resposta é (C).

7 – O verbo haver da primeira e da terceira coluna está no seu clássico emprego como impessoal; vai ficar, portanto, no singular (havia e houvesse). Na segunda coluna, temos uma construção de passiva sintética, cujo sujeito é os trabalhos, o que leva recomeçar para a  3a. pessoa do plural. A resposta é (E).

8 – A primeira lacuna deve ser preenchida pelo verbo faltar, que concorda normalmente com o sujeito “muitos dias”. Na segunda lacuna, temos a locução verbal [dever + FAZER] que deverá ficar invariável, uma vez que o sentido de fazer aqui o torna impessoal. A resposta é (E).

9 – Na primeira lacuna, temos o clássico fazer no sentido de tempo decorrido, que é impessoal. O verbo existir, da segunda lacuna, é um verbo como qualquer outro, concordando com o sujeito “ruínas”. Já o haver da terceira lacuna é o impessoal de sempre. A resposta é (D).

10 – Na primeira lacuna, o verbo haver não tem sujeito e não pode variar, embora a posição em que o objeto direto “todos os parafusos” foi colocado na frase contribua para que um leitor apressado o tome por sujeito. Na segunda lacuna, fazer não está empregado num dos sentidos em que é impessoal; aqui ele é um verbo comum e deve concordar com o sujeito plural (“todos os parafusos faziam falta”) . Na terceira lacuna, o verbo haver, indicando tempo decorrido, fica invariável. A resposta é (B).

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Testes – Concordância com verbos impessoais

[Antes de fazer os testes, leia Concordância com verbos impessoais]

 

1 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está CORRETA:

a) Mesmo que se tratem de pessoas honestas, exija um fiador.
b) É importante que haja muitas faculdades de Letras.
c) Espero que, em fevereiro, façam dias menos ventosos.
d) Haviam quatro semanas que o navio estava no porto.
e) Se não houverem imprevistos, chegaremos amanhã.

 

2 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está ERRADA:

a) Onde você andava? Fazem mais de três horas que a espero.
b) Talvez houvesse soluções melhores do que aquela.
c) Você não acha que basta de provocações?
d) Vão terminar acontecendo coisas desagradáveis
e) Haviam ocorrido vários acidentes naquele local.

 

3 – Assinale a alternativa em que a concordância do verbo grifado está ERRADA

a) Acho que devem bastar duas colheres de açúcar.
b) de haver outras saídas.
c) Hão de existir outras saídas.
d) Podem tratar-se de vírus desconhecidos.
e) Deve passar das quatro horas.

 

4 – Assinale a alternativa em que o verbo grifado deve ser pluralizado, a fim de que a concordância verbal fique CORRETA:

a) Em fevereiro deverá fazer dias melhores.
b) Espero que haja sobrado algumas cervejas.
c) Já começa a haver esperanças.
d) Aqui nunca havia feito verões tão rigorosos.
e) Não pode haver hesitações

 

5 – Este ano ……….. as festas que ……….., que eu não comparecerei a nenhuma.

a) pode haver           – haver
b) podem haver        – haverem
c) pode haver           – houver
d) pode haver           – houverem
e) podem haver        – houver

 

6 – No domingo, ……… seis meses que as aulas começaram; pode-se dizer que só ………. trinta dias para as férias.

a) fará           – falta
b) farão         – falta
c) fará           – faltam
d) faz            – falta
e) fazem        – faltam

 

7 – Não ……… condições para se …….. os trabalhos; mesmo que as …….., era tarde.

a) havia              – recomeçar               – houvessem
b) haviam           – recomeçarem          – houvessem
c) haviam           – recomeçar               – houvesse
d) haviam           – recomeçar               – houvessem
e) havia               – recomeçarem          – houvesse

 

8 – ………ainda muitos dias para que ele volte? Afinal, ………bem uns dois meses que ele foi viajar.

a) Faltará           – deve fazer
b) Faltará           – devem fazer
c) Faltarão         – devem fazerem
d) Faltarão         – devem fazer
e) Faltarão          – deve fazer

 

9 – Já ……… muitos anos que só ………. ruínas das construções que…….. nesta cidade.

a) fazem       – existe           – haviam
b) fazem       – existe           – havia
c) fazem        – existem        – haviam
d) faz           – existem         – havia
e) faz           – existem         – haviam

 

10 – Todos os parafusos que ………. demais naquele relógio, noutros ………. falta. ………. dez anos que a queixa era a mesma.

a) havia           – fazia         – Havia
b) havia           – faziam      – Havia
c) haviam        – faziam      – Haviam
d) haviam        – fazia         – Haviam
e) haviam         – faziam      – Havia

 

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Concordância com verbos impessoais – HAVER, FAZER, etc.

Qualquer brasileiro sabe que a regra de ouro de nossa sintaxe é a de que todo verbo concorda com o sujeito da frase. O que devemos fazer, contudo, com aqueles verbos que não são atribuídos a sujeito algum, os chamados verbos impessoais? O uso culto prefere deixá-los imobilizados na 3a. pessoa do singular. Felizmente esses verbos formam um grupo extremamente reduzido:


1. HAVER – Este verbo, quando usado nos sentidos de “existir” ou “ocorrer”, fica sempre  na 3ª do singular (o elemento em destaque é analisado como objeto direto):

 

CORRETO:

EVITE:
  • Havia dez interessados.
  • Haviam dez interessados.
  • Aqui houve alterações.
  • Aqui houveram alterações.
  • Haverá sessões contínuas.
  • Haverão sessões contínuas.

 

Você já deve ter-se acostumado a ouvir *”haviam pessoas”, *”haverão dúvidas” — construções provavelmente inspiradas, por analogia, em “existiam pessoas” e “existirão dúvidas”, mas com certeza ficaria surpreso se soubesse o quanto se discute, entre os estudiosos, a conveniência de considerar, de uma vez por todas, o verbo haver como um verbo comum com sujeito posposto. Há bons argumentos contra e bons argumentos  a favor desse “reenquadramento” de haver, e tanto um quanto o outro lado têm a defendê-los jovens e velhos gramáticos. Aqui se trata, porém, de definir um item do uso culto escrito; portanto, se você quer se sentir seguro, não invente moda e opte por deixar o verbo sempre no singular. Em outras palavras: se você não quer chamar a atenção de todos durante a cerimônia, use gravata (e, de preferência, com um nó clássico).


2. FAZER (e HAVER, também), indicando TEMPO DECORRIDO

CORRETO:                                           EVITE:

  • Faz três meses.                                  * Fazem três meses.
  • Amanhã fará dois anos.                     * Amanhã farão dois anos.
  • Fazia duas horas que esperava.         * Faziam duas horas que esperava.
  • Havia dois dias que não comia.         * Haviam dois dias que não comia.


3. FAZER, indicando CONDIÇÕES METEOROLÓGICAS:

CORRETO:                            EVITE:

  • Fez dias belíssimos.           * Fizeram dias belíssimos.
  • Ali fazia 40° à sombra.       * Ali faziam 40° à sombra.


4. PASSAR DE, em expressões de tempo:

CORRETO:                              EVITE:

  • Passava das duas horas.      * Passavam das duas horas.
  • Passa das três da tarde.       * Passam das três da tarde.


Não confunda esta estrutura, que é considerada  SEM SUJEITO (note que “duas horas”, “três horas”, etc., vêm precedidos da preposição DE), com o verbo PASSAR que aparece nos exemplos abaixo, em que “três horas” e “três minutos” funcionam como SUJEITO:

  • Passam três horas do meio-dia.
  • Passavam três minutos das duas.


5. BASTAR DE e CHEGAR DE:

  • Basta de reclamações      (e não *bastam de)
  • Chega de pedidos             (e não *chegam de)


6. TRATAR-SE DE, com referência a uma afirmação anterior.


  • CORRETO:     Lá vêm elas. Não esqueça: trata-se das filhas do prefeito.
  • EVITE:            Lá vêm elas. Não esqueça: *tratam-se das filhas do prefeito.

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Para o falante brasileiro, as três frases abaixo são sinônimas

  • (1) Não havia dinheiro no cofre.
  • (2) Não existia dinheiro no cofre.
  • (3) Não tinha dinheiro no cofre.

Se trocarmos dinheiro por documentos, no entanto, está armada a confusão:

  • (1) Não HAVIA documentos no cofre.
  • (2) Não EXISTIAM documentos no cofre.

A frase (3) é mais complicada, pois o uso de ter com valor existencial ainda é classificado como inadequado na língua culta formal escrita. Se quisermos assim mesmo empregá-lo, vamos ter de escolher qual dos dois modelos (o de haver, impessoal, ou o de existir) ele vai seguir. Minha intuição aponta para a primeira hipótese: “Não tinha documentos no cofre”.