data venia

Prof. Moreno: qual o significado de data venia? Agradeço se responder a este e-mail ou incluir este verbete na sua página.

Ricardo Cabral

Meu prezado Ricardo: data venia (grifado e sem acento), traduzida como “com a devida vênia, com o devido respeito”, é uma locução empregada para introduzir uma objeção que vamos fazer ao que nosso interlocutor disse ou escreveu. Seja em Latim, seja em seus equivalentes traduzidos, é uma daquelas fórmulas de cortesia quase obrigatórias quando discordamos de alguém que, pela posição, pelo cargo ou pelo prestígio, está situado acima de nós (um advogado que fala com um juiz, um jovem pesquisador que discorda de um pesquisador de renome, um aluno que discorda de seu professor).

A palavra data, aqui, é uma forma do verbo dare (“dar”, em Latim); a tradução literal seria, portanto, “dada a licença”. Quando se quer intensificar a expressão, podemos acrescentar o adjetivo maxima: data maxima venia, e não, como fazem alguns, inventar um *datissima venia, que nada tem a ver com a língua latina.

É claro que a expressão, bem como as demais fórmulas de cortesia, pode ser usada em sentido irônico, quando nos dirigimos a um interlocutor visivelmente desqualificado, que não mereceria essas cautelas da diplomacia retórica. Abraço. Prof. Moreno

P.S.: Como ilustração, aconselho você a ler o trecho abaixo, extraído do livro Português para Convencer, de Moreno & Martins:

(…) sempre que fizermos afirmações que podem ser polêmicas ou intimidar o oponente, será necessário introduzir na frase expressões que atenuem o impacto e aliviem a tensão resultante. Se a intenção é persuadir o juiz, não posso soar como autoritário, nem tratar a outra parte de modo ofensivo. É por isso que usamos o futuro do pretérito — “eu diria”, “poderíamos entender” e outras expressões de polidez que desarmam o espírito do leitor. Entre esses desarmadores, destacam-se as tradicionais expressões “Salvo melhor juízo”, “Com a devida vênia (ou data venia, na sua forma latina), “Sem querer duvidar do colega”, “Sei que corro o risco de parecer impertinente”, “Quer me parecer”, “Em que pese a consistência jurídica da opinião em contrário”…

 

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Então ouça o podcast Noites Gregas, do professor Moreno.