Desemalando dinheiro
Você fala em “neologismos”? Você sabe distinguir as palavras novas das antigas? Faça o teste; você vai se surpreender.
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Poucos sabem que o fruto do coqueiro ganhou o nome de uma entidade de assustar criança, prima da nossa CUCA – e que a COCÓ, nome que os brasileirinhos dão às galinhas, é aquilo que os bebês portugueses fazem na fraldinha.
Embora pareça ser uma especialidade brasileira, PROPINA, como qualquer outro vocábulo tradicional de nosso idioma, sofreu muitas mudanças e acréscimos no seu significado, aqui e além-mar.
Não precisamos consultar o dicionário para entender uma palavra como PROPINOCRACIA, pois nosso léxico é como um imenso Lego: as peças estão na caixa, à disposição do falante, que pode usá-las para produzir centenas de milhares de combinações que, é quase certo, não haverão de estar dicionarizadas.
Veja como um bom dicionário pode transportar seus filhos para um mundo repleto de aventuras e descobertas.
Por que dizemos azeite de OLIVA, se ele vem da azeitona? E existe alguma diferença entre ÓLEO e AZEITE?
Os vocábulos importados são como estrangeiros que vêm morar no Brasil: uns já estão naturalizados, outros aguardam o deferimento do pedido e outros, finalmente, vão viver aqui sem mudar sua cidadania de origem.
QUANDO UM TERMO técnico entra na linguagem do quotidiano, a tendência é reduzi-lo a um padrão mais confortável para todos os falantes. Vai daí, coisas estranhas começam a acontecer.
É mais simples do que parece: o país da África que chamamos de CAMARÕES foi batizado por exploradores portugueses do séc. XVI – e a origem deste nome é o mesmo camarão que recheia nossa empadinha.
Um leitor pergunta por que nós escrevemos “Argélia”, quando o mundo todo parece preferir “Algéria”. A explicação é histórica: quando o mundo optou pelas formas francesas, “Alger” e “Algérie”, nosso léxico já usava “Argel” e “Argélia” há muito tempo.