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Lições de gramática Verbos - conjugação

irregular defectivo

Caro professor, tenho dúvida sobre os verbos defectivos, pois um amigo meu, estudante igual a mim, disse que o verbo polir é irregular e eu disse que achava que era defectivo, por não possuir a 1ª pessoa do singular. Apostei com meu amigo que era um absurdo. Continuo achando que o verbo polir é defectivo. O senhor poderia me ajudar?” 

Vilma S. L. — São Paulo

Minha cara Vilma, não é bem assim. Para começar, os verbos dividem-se, quanto à sua conjugação, em regulares (a maioria) — os que não mudam o radical em toda sua conjugação — e irregulares (os que sofrem alterações no radical). Há outra divisão, que nada tem a ver com essa, em verbos completos e verbos defectivos. Estes seriam aqueles que não podem ser conjugados em todas as formas, por motivos (absolutamente discutíveis) de eufonia. Portanto, admitindo-se que haja verbos defectivos (repito: não se conjugam em todas suas formas; têm lacunas no quadro da conjugação), eles ainda podem ser regulares ou irregulares na parte que lhes resta. Posso exemplificar com os verbos precaver e reaver. O primeiro é defectivo e regular (não possui todas as formas, mas, nas que existem, conjuga-se como o modelo da 2ª conjugação); o segundo é defectivo e irregular (nas formas que existem, segue o verbo haver, completamete irregular). Percebes que uma coisa não exclui a outra. Agora, quanto a teu verbo polir, (1) ele é um verbo completo (não é defectivo), (2) mas irregular; conjuga-se, no presente, pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem. Consegui ser claro? Teu amigo estava com a razão. Abraço. Prof. Moreno.

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Lições de gramática Verbos - conjugação

polir

Estimado Professor, estava pesquisando sobre verbos defectivos e adorei aquela carta em que o senhor explica a conjugação do verbo polir. Entendi perfeitamente. No entanto, o livro intitulado Tudo Sobre o Verbo diz que ele é defectivo; ali ele aparece sem a conjugação completa no presente do indicativo. Estou um pouco confusa, pois preciso dar uma aula sobre este tema. Pode me ajudar? Só preciso saber se é possível que haja teorias diferentes sobre o assunto; talvez até seja normal essa diferença de opiniões. Desde já, agradeço sua preciosa atenção.

Antonia M. — Professora

Minha cara Antônia: a lista dos verbos que são defectivos para um gramático jamais será igual à lista de outro; na verdade, não há verdadeiros defectivos além de reaver e precaver. Os demais — isto é, os que assim são chamados por alguns autores — são apenas verbos que têm, na sua conjugação, formas consideradas estranhas ou ridículas, o que é um critério absolutamente impreciso, pois vai variar de indivíduo para indivíduo, de época para época. Basta ver como uns incluem competir na lista, enquanto outros o consideram um verbo absolutamente corriqueiro, com conjugação completa, inclusive com direito a um eu compito, em tudo semelhante a eu repito (lê o que escrevi em eu compito?). 

Não conheço o autor deste livro Tudo Sobre o Verbo, de título tão otimista; asseguro-te, apenas, que ele não é autoridade reconhecida no mundo acadêmico. Para a conjugação do polir, eu prefiro ficar com a minha intuição, confirmada pelo dicionário do Houaiss e pelo Aurélio, que o apresentam como um verbo normal, de conjugação completíssima: eu pulo, tu pules, ele/você pule, nós polimos, vós polis, eles/vocês pulem. Não importa que pulo também seja a 1ª pessoa do verbo pular; afinal, há centenas de formas verbais homógrafas… Queres um conselho? Fica com estes dois mestres, porque, para ir contra esses pesos-pesados (o que é possível, em alguns casos), é preciso bem mais do que um simples manual sobre verbos. Abraço. Prof. Moreno

P.S.: Essa é uma das grandes vantagens da edição eletrônica desses dois dicionários: ambos trazem uma ferramenta que fornece o quadro completo da conjugação de qualquer verbo que esteja ali relacionado.

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Etimologia e curiosidades Origem das expressões

caveat

Diga /cáveat/. Um caveat é uma advertência, um aviso, um conselho para que haja cautela. Embora venha do imperativo de cavere (em Latim, tomar cuidado, acautelar-se), verbo que ainda encontramos dentro do nosso precaver, entrou em nosso léxico como substantivo (“um caveat“, “ignorou o caveat”, etc.). Nos países da Common Law o termo designa também um ato processual específico, mas seu uso universal no mundo acadêmico é mesmo para recomendar cuidado (como aparece, aliás, em diversas seções deste sítio). Um famoso ladrilho encontrado nas ruínas de Pompéia nos mostra a figurinha de um cachorro acorrentado, encimada pela frase Cave Canem – nossa velha “cuidado com o cão” (se a memória não me trai, essa ilustração aparece no História do Mundo para Crianças, do Monteiro Lobato). Mais famosa, no entanto, na cultura ocidental, é a frase Cave ne cadas (“cuidado para não caíres”), sabiamente usada nos triunfos romanos: enquanto o general vitorioso, à frente de suas legiões, vestido de púrpura, num carro puxado por quatro cavalos brancos, avançava lentamente pelas ruas de Roma, sob o aplauso ininterrupto da população, tendo à frente do cortejo, em correntes de ouro e de prata, os reis e generais capturados, e os cativos que carregavam os tesouros que tinha conquistado para o Império, atrás dele, no mesmo carro, vinha um escravo repetindo — por que era fácil esquecer! — “Lembra-te de que és homem; cuidado para não caíres“. 

Depois do Acordo: Pompéia > Pompeia