Tolerância
Há leitores que caçam ESTRANGEIRISMOS e PLEONASMOS como se fossem ratazanas a abater — e só me escrevem para desabafar sua fúria contra aquilo que consideram errado no Português dos outros.
Há leitores que caçam ESTRANGEIRISMOS e PLEONASMOS como se fossem ratazanas a abater — e só me escrevem para desabafar sua fúria contra aquilo que consideram errado no Português dos outros.
Nossa língua tem três plurais diferentes para os nomes em “ÃO” — IRMÃOS, LEÕES, ALEMÃES —, mas um deles, pouco a pouco, vai deixando os outros para trás.
Quando um regime privilegia um pequeno grupo de poderosos, quando as massas, conduzidas por líderes populistas, tentam se sobrepor às leis e às instituições, caímos na CAQUISTOCRACIA — o governo dos piores.
Dois leitores trazem suas dúvidas sobre adjetivos gentílicos: quem nasce na cidade de Salvador, na Bahia, não poderia também ser chamado de “salvadorenho”? E quem tem uma esposa natural da Indonésia pode dizer que casou com uma “indonesiana” — ou é mesmo com uma “indonésia”?
A Reforma foi adiada — isso é fato. Mas e nós, como ficamos? O que vai resultar desse adiamento? Olhe, prezado leitor, há muitos desfechos possíveis. O adiamento, a meu ver, elimina desde já a hipótese de ficar assim como está; haverá alterações de rumo.
A Reforma foi um desastre que resultou de uma trágica sequência de erros e omissões; veja aqui a parcela de responsabilidade que coube à Academia Brasileira de Letras e às editoras brasileiras.
Um dia alguém vai ter de explicar por que os linguistas e professores que integraram a Comissão de Língua Portuguesa do MEC não denunciaram as incongruências do Acordo, que saltam aos olhos a quem lê o texto com o mínimo de atenção.
Ao aceitar um grande número de grafias diferentes entre os vários países lusófonos, os membros da Comissão que elaborou o novo Acordo Ortográfico deveriam ter voltado para suas casas, admitindo a impossibilidade dessa uotpia unificadora. Infelizmente, numa constrangedora demonstração de falta de espírito cívico, terminaram por aprovar uma Reforma que trai o seu objetivo principal.
“Você vai ao cinema hoje? SE SIM, deixe a chave com o vizinho” — Você estranha esta construção, caro leitor? Se sim, tem todo o direito de não empregá-la, embora ela esteja correta e, para o meu gosto, soe melhor do que muitos de seus possíveis substitutos.
“Bom dia!”, “Boa tarde!”, “Boas festas!”, “Bom jogo!”, “Bom almoço!”, “Boa aula!” ou “Bom enterro!”, tudo isso se escreve SEM hífen. O “bom-dia” que está no dicionário é vinho de outra pipa.